Durante a vida, as pessoas costumam adquirir hábitos que as impedem de agir com bom senso. "Trata-se de costumes como comer por compulsão (comportamentos compulsivos ou aditivos). São hábitos aprendidos e seguidos devido a alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. Já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase que automaticamente", observa Martha.
Outra barreira para que se possa agir com bom senso é conseguir concilia-lo com a sensação de saciedade. "As pessoas comem não porque estão com fome, mas porque perderam o emprego, estão sem namorar, descasaram, não têm programa para o final de semana e por aí vai. Sendo que, na verdade, a única função da alimentação é comermos quando tivermos fome, para mantermos o corpo saudável e forte. Não é o caso de compensarmos por meio da comida as 'mazelas' da vida", alerta a psicóloga.
A falta de comprometimento também é outro fator que dificulta a questão do bom senso. "As pessoas não passam pela tão falada reeducação alimentar, e tudo deve partir daí. Não querem fazer dieta, quanto mais criar um conceito de bom senso. Desistem antes de atingir a reeducação, porque a comida é um grande prazer", alerta Renata.
O bom senso em números
Já vimos que o bom senso na alimentação está diretamente ligado à quantidade que se come. Mas, o ideal depende de uma série de circunstâncias. "Cada pessoa tem uma taxa de metabolismo, cada organismo difere pelo sexo, idade, tipos de atividade etc. Cada um tem uma quantidade certa a ingerir. Um profissional pode dizer o que se pode comer, após analisar características do paciente. Tem-se um determinado número de calorias para repor e essa quantidade é dividida entre todos os grupos alimentares", explica a nutricionista.
O Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição, aponta quais são, de maneira geral, as quantidades de alimentos necessárias diariamente:
Ninguém nasce sabendo quais escolhas deve fazer e nem adquire bom senso de uma hora para a outra. "É um exercício diário. A partir do momento em que nos colocamos a 'pensar' em bom senso, é porque já estamos começando a tê-lo. Tudo parte do pensamento, sendo assim, pensar já está no caminho certo", explica a psicóloga.
Dois fatores, a princípio opostos, também estão envolvidos. "Bom senso combina plenamente com flexibilidade e disciplina. Quem não é flexível não consegue ter bom senso, porque se hoje comeu demais, já acha que está tudo acabado e pára por aí. Aquele que tem flexibilidade acaba por ter excelente disciplina. Por exemplo: 'hoje pisei na bola, mas amanhã começarei tudo novamente até conseguir'. E isso é o melhor de tudo", conclui Martha.
Publicado em 13/05/2008
Fonte:
Microbial ecology: Human gut microbes associated with obesity - site:www.nature.com/nature/journal/v444/n7122/abs/4441022a.htm
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"A Dieta do Bom Senso", Edouard Misk, Ed. Edouard Misk(Florianópolis).
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