Muita gente com câncer colorretal quer ter sua parte na tomada de decisão sobre seu atendimento médico. É natural querer saber o máximo possível sobre a doença e escolhas de tratamento. Contudo, o choque e o estresse que podem ocorrer depois do diagnóstico podem tornar difícil pensar em tudo o que você gostaria de perguntar ao médico. É sempre útil fazer uma lista de perguntas, antes da consulta médica.
Para ajudar a lembrar-se do que o médico fala, você pode tomar notas ou, até, perguntar se pode usar um gravador. Também, você pode querer a presença de algum parente ou amigo, quando for conversar com o médico – para participar da discussão, tomar notas ou, apenas, escutar.
Você não precisa fazer todas as perguntas de uma vez. Você terá outras oportunidades de pedir ao médico ou ao pessoal de enfermagem para explicar coisas que não estão bem claras, e pedir mais detalhes.
Seu médico pode indicar que você vá a um especialista com experiência no tratamento de câncer colorretal, ou você pode lhe pedir que indique um.
Entre os especialistas que tratam de câncer colorretal estão os gastroenterologistas (médicos especializados em doenças do sistema digestivo), cirurgiões, oncologistas, e rádio-oncologistas. Você pode ter uma equipe de médicos.
Antes de começar o tratamento, pode ser que você queira ouvir uma segunda opinião sobre seu diagnóstico e esquema de tratamento. Muitos planos de saúde dão cobertura a uma segunda opinião, caso seu médico a peça.
Pode levar algum tempo e esforço para reunir registros médicos para consultar outro médico. Na maioria dos casos, o atraso para começar o tratamento não o torna menos efetivo. Em todo o caso, convém analisar esse retardamento com seu médico.
Há várias maneiras de conseguir um médico para ter uma segunda opinião:
A escolha do tratamento depende, principalmente, da localização do tumor no cólon ou no reto, e do estágio da doença. O tratamento do câncer colorretal pode envolver cirurgia, quimioterapia, tratamento biológico, ou radioterapia.
Muitas vezes, o câncer de cólon é tratado de maneira diferente do câncer de reto.
O médico pode descrever suas escolhas de tratamento e os resultados esperados de cada uma delas. Você e seu médico podem atuar juntos para desenvolver um plano de tratamento que atenda as suas necessidades.
O tratamento do câncer pode ser um tratamento local, ou um tratamento sistêmico.
Muitas vezes, os tratamentos de câncer atacam células e tecidos saudáveis, o que pode causar efeitos colaterais. Efeitos colaterais dependem, em muito, do tipo e duração do tratamento, e podem não ser os mesmos para todas as pessoas, além da possibilidade de serem diferentes de uma sessão para outra. Antes de iniciar o tratamento, a equipe de saúde irá explicar quais são os possíveis efeitos colaterais e irá sugerir meios para ajudar a controlá-los.
Em qualquer estágio da doença existem cuidados de suporte para aliviar os efeitos colaterais do tratamento, para controlar a dor e outros sintomas, e para cuidar de problemas emocionais.
Converse com seu médico sobre como participar de um estudo clínico, um trabalho de pesquisa sobre novos métodos de tratamento. A Seção “A Promessa da Pesquisa de Câncer” traz mais informações sobre estudos clínicos.
Se quiser, faça ao médico as seguintes perguntas, antes de começar o tratamento:
Cirurgia é o tratamento mais comum para câncer colorretal.
Ao remover uma parte do cólon ou do reto, normalmente, o cirurgião une as partes saudáveis. Contudo, às vezes, não é possível fazer essa conexão. Nesse caso, o cirurgião cria um novo caminho para que as fezes saiam de seu corpo.
É feita uma abertura (estoma ou ostoma) na parede do abdômen, uma ligação da parte superior do intestino com o estoma, e a outra parte é fechada. A cirurgia para criar o estoma chama-se colostomia. É colocada uma sacola para coletar os dejetos, presa ao corpo por um adesivo especial.
Para a maioria das pessoas, o estoma é temporário. Ele só é necessário até que o cólon ou reto cicatrizem, após a cirurgia. Depois da cicatrização, o cirurgião reconeTCa as partes do intestino e fecha o estoma. Algumas pessoas, principalmente que têm/tiveram tumor na parte inferior do reto, precisam de um estoma permanente.
Pessoas que fazem colostomia podem ter uma irritação da pele ao redor do estoma. O médico ou enfermeiro(a) podem lhe dar informações sobre como limpar a área e evitar irritação e infecção. A Seção “Reabilitação” traz mais informações sobre como cuidar do estoma.
A cicatrização depois da cirurgia leva um tempo diferente para cada pessoa.. É comum ter um certo desconforto, nos primeiros dias. A medicina tem meios para ajudar você a controlar a dor.Antes da cirurgia, você deve ter conversado com o médico ou com a equipe de atendimento sobre um plano para aliviar a dor. Depois da cirurgia, pode ser que o médico precise ajustar o plano, para adaptá-lo às suas reais condições.
É comum sentir cansaço ou fraqueza por algum tempo. Muitas vezes, a cirurgia pode causar constipação ou diarréia. A equipe de atendimento deverá acompanhar para verificar se há sinais de sangramento, infecção ou algum outro problema que necessite de tratamento imediato.
Pode ser que você queira fazer ao médico, as seguintes perguntas, antes da cirurgia:
A quimioterapia utiliza drogas anticâncer para matar as células do câncer. As drogas entram na corrente sangüínea através de uma veia, e há drogas que podem ser administradas pela boca (via oral). Você poderá fazer o tratamento na parte de ambulatórios do hospital (sem internação) ou no consultório médico, ou em sua casa. Raramente haverá necessidade de internação.
Os efeitos colaterais da quimioterapia dependem, principalmente, dos medicamentos específicos e da dose. As drogas podem afetar células normais, que se dividem rapidamente:
A quimioterapia de câncer colorretal pode fazer com que a pele das palmas das mãos e da sola dos pés torne-se vermelha e dolorida. A pele pode soltar-se.
A equipe de saúde poderá sugerir meios para lidar com a maioria desses efeitos colaterais. A maioria deles, normalmente, desaparece quando o tratamento é encerrado.
Algumas pessoas com câncer colorretal cuja doença já se espalhou recebem um anticorpo monoclonal, um tipo de tratamento biológico. Os anticorpos monoclonais ligam-se às células do câncer colorretal e a fatores de seu crescimento. Interferem no crescimento e na disseminação do câncer. As pessoas recebem os anticorpos monoclonais pela veia, ou no consultório médico, ou no hospital, ou numa clínica. Há pacientes que recebem quimioterapia, ao mesmo tempo.
Durante o tratamento, a equipe de saúde fica atenta para ver se há sinais de problemas. Algumas pessoas recebem medicamentos para evitar possíveis reações alérgicas. Os efeitos colaterais dependem muito do tipo de anticorpo monoclonal que está sendo aplicado. Os efeitos colaterais podem ser erupções da pele, febre, dores abdominais, vômito, diarréia, alterações da pressão arterial, sangramento ou problemas de respiração. Normalmente, os efeitos colaterais ficam mais fracos depois do primeiro tratamento.
Pode ser que você queira fazer ao médico as perguntas seguintes, antes de começar seu tratamento biológico ou quimioterápico:
A radioterapia (também chamada de radiação) usa raios de alta energia para matar as células de câncer. Afeta as células de câncer apenas na área tratada.
Os médicos usam tipos diferentes de radiação para tratar o câncer. Às vezes, as pessoas recebem dois tipos:
Radiação externa: Os raios vêm de um aparelho. O tipo de aparelho mais comum chama-se acelerador linear. A maioria dos pacientes vai ao hospital ou a uma clínica, geralmente 5 dias por semana, por várias semanas.
Radiação interna (implante radiológico ou braquiterapia): A radiação vem de um material radioativo colocado em finos tubos colocados diretamente no tumor ou muito perto dele. O paciente permanece no hospital e os implantes permanecem instalados por vários dias. Normalmente são retirados antes de o paciente ir para casa.
Tratamento por radiação intraoperativa: Em alguns casos, a radiação é aplicada durante a cirurgia.
Os efeitos colaterais dependem principalmente da quantidade de radiação aplicada e da parte do corpo que está sendo tratada. A radioterapia de abdômen e pélvis pode causar náusea, vômito, diarréia, fezes com sangue, ou movimentação intestinal urgente. Também pode causar problemas urinários, como a impossibilidade de conter o fluxo urinário da bexiga. Além disso, a pele da área tratada pode ficar vermelha, ressecada e sensível. A pele ao redor do ânus é especialmente sensível.
É provável que você sinta cansaço durante a radioterapia, especialmente nas últimas semanas do tratamento. Repouso é muito importante mas, normalmente, os médicos aconselham os pacientes a permanecerem o mais ativos quanto possível.
Embora os efeitos colaterais da radioterapia possam ser estressante, em geral o médico consegue controlá-los. Além disso, os efeitos colaterais desaparecem depois do término do tratamento.
Talvez você queira fazer ao médico as seguintes perguntas sobre radioterapia:
A grande maioria dos pacientes com câncer de cólon é tratada com cirurgia. Muitos pacientes fazem cirurgia e recebem quimioterapia. Alguns, com doença avançada, recebem tratamento biológico.
Muitas vezes, é necessária uma colostomia, para pessoas com câncer de cólon.
Embora a radioterapia seja usada muito raramente nessa doença, às vezes ela é aplicada para aliviar dor e outros sintomas.
Em todos os estágios do câncer retal, o tratamento mais comum é a cirurgia. Alguns pacientes recebem cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Alguns, com doença avançada, recebem tratamento biológico.
Cerca de 1 em cada 8 pessoas com câncer retal vai precisar de colostomia permanente.
A radioterapia pode ser usada antes e depois da cirurgia. Há quem receba radioterapia antes da cirurgia para diminuir as dimensões do tumor, outras pessoas recebem a radioterapia depois da cirurgia, para matar células de câncer que ainda permaneceram na área.
Em certos hospitais, os pacientes recebem radioterapia durante a cirurgia. Também há quem receba radioterapia para aliviar dor e outros sintomas causados pelo câncer.
Referências Bibliográficas
www.cancer.gov/cancertopics