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Reumatologia

AR e dor

Artrite reumatóide (AR) é uma doença inflamatória crônica que afeta aproximadamente 1% de todas as pessoas no mundo industrializado.1Dor articular e alterações inflamatórias [Figura 1] são características primárias da AR; com o decorrer do tempo, elas podem levar a destruição irreversível, prejuízo funcional e incapacidade física nos pacientes afetados.1 

 
Figura 1. Mãos de um paciente com artrite reumatóide grave.2
 

Dor articular é a queixa mais frequente de um paciente com AR, que acomete várias articulações, geralmente de forma simétrica. A fadiga aparece com o passar das semanas, levando os profissionais de saúde (PSs) a considerar um diagnóstico de AR.3

A destruição articular observada ao raio-x e exames laboratoriais, como velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa, são utilizados para monitorar a atividade da doença, mas a dor é o que mais intensamente compromete a qualidade de vida do paciente.4,5


 

De fato, muitos pacientes identificam a dor associada à AR como um dos fatores crônicos de estresse mais importantes desta doença.5 A dor pode afetar a vida diária dos pacientes, desde sua capacidade para trabalhar até sua capacidade de realizar as tarefas necessárias para manter o bem-estar de suas famílias.6

Pacientes com AR podem apresentar dor difusa, generalizada, em todo o corpo ou dor em regiões e articulações determinadas.7,8

Articulações comumente envolvidas incluem as articulações interfalangeanas proximais (PIP), as articulações metacarpofalangeanas (MCP) e as articulações do punho, ombro e joelho.8

Prevalência de Dor Articular e Regional em Pacientes com AR.8 

 
Porcentagem de articulacões e regiões dolorosas segundo informado por 12090 pacientes com AR, em um estudo de 6 anos
 

 Nos joelhos, por exemplo, foram identificados receptores de dor em toda a articulação, incluindo a cápsula articular e os ligamentos articulares.8,10

Os mecanismos pelos quais os estímulos mecânicos dolorosos no interior da articulação iniciam a condução elétrica até o sistema nervoso central (SNC) não estão definidos.9 Teorias originadas em pesquisas em modelos animais sugerem que o movimento articular ativa terminações nervosas livres e a abertura de canais iônicos que.levam à ativação neuronal, que pode ser interpretada pelo SNC como dor.9,11,12

Entretanto, em processos inflamatórios, como na AR, não são necessários grandes movimentos para desencadear a sensação dolorosa. A inflamação provoca redução no limiar de dor; como resultado, pacientes com AR não apenas são mais sensíveis a estímulos normalmente inócuos (alodinia) mas, também, sentem dor com maior intensidade (hiperalgesia).13,14

Além disso, a força mecânica criada pelo edema e pela pressão intra-articular resultante durante a inflamação também podem contribuir para a dor articular em pacientes com AR. Foi demonstrado que pacientes com AR podem ter uma pressão intra-articular até três vezes maior do que pacientes sem AR.9,15

Determinados autores reconhecem que diversas citocinas, incluindo IL-1, TNF alfa, IL-10, influenciam a nocicepção.16As citocinas demonstraram causar impacto na transdução de sinais nociceptivos e resultam em sinalização prolongada em áreas cognitivas do cérebro, mesmo na ausência de estímulos dolorosos.16 Também foram demonstradas relações próximas entre a produção de citocinas como IL-6 e liberação de neuropeptídeos.17,19

Episódios prévios de dor e fatores genéticos também influenciam a experiência de dor, já que ela é processada no SNC.20 Tanto fatores sociais quanto psicossociais demonstraram prever a gravidade da dor em muitas doenças, incluindo AR;8,20e tratar essa dor e restabelecer a qualidade de vida de um paciente podem requerer a combinação de modalidades farmacológicas e psicossociais.


   


Referências Bibliográficas:
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